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Tem que Versus Eu quero

28 Sep 2016 por Gustavo Boog em Aposentadoria

Tornar-se um adulto responsável é um processo longo e doloroso. Para podermos viver em sociedade, com certeza cada um de nós precisa achar um equilíbrio entre as suas necessidades pessoais e as necessidades coletivas. Um exemplo disto é a vontade que eu tenho de passar por um semáforo vermelho na madrugada, versus seguir as leis e aguardar pacientemente pelo sinal verde.

Desde crianças somos bombardeados com determinações do que pode e do que não pode. Os pais e professores fazem isto, no sentido de domesticar nossas vontades individuais. Isto é bom? Até certo ponto, sim, mas muitas vezes temos de abrir mão do que nos faria bem, e aí a vida pode se tornar cinza, uma lista infindável de coisas a fazer. Minha família de origem é de imigrantes alemães, em busca de uma nova vida na América. Eu ouvi muito a frase “primeiro a obrigação, depois a diversão”. Se pensarmos que a lista de obrigações é enorme, sobra pouco ou quase nada para a diversão. Talvez isto valesse para meus avós e bisavós, mas será adequado para mim, nos dias de hoje?

Você deve ser um bom aluno, não bata no seu irmão, só vai ganhar a sobremesa depois do feijão com arroz, você precisa se casar, você precisa ter filhos, você deve entrar numa boa faculdade, você deve ser um bom marido, você deve ter um bom emprego, você precisa tirar notas melhores na escola, você precisa fazer um curso de especialização! E a lista não acaba. Eu entendo que há boas intenções nestes mandatos, mas este processo de se tornar um adulto responsável tem um altíssimo custo emocional.

Quando envelhecemos vem a vontade de fazer coisas que não pudemos fazer, por ordens que foram interiorizadas, por falta de tempo ou por falta de dinheiro. Os “tem que” estão tão interiorizados, que muitas vezes nem nos damos conta deles. A idade madura é a hora do “eu quero”: se não fizer agora, quando farei? Não estou sugerindo que cada um de nós torne-se um idoso irresponsável. Tampouco que tentemos voltar aos tempos de juventude (mesmo porque isto é impossível). Mas, há um enorme leque de opções para o “eu quero”, e cada um pode achar as suas, sem se sentir culpado por isto.

Esta transição ao “eu quero” também não é fácil, pois os hábitos do “tem que” são tão entranhados em nós, que o processo de deixá-los muitas vezes precisa do apoio de um coach ou terapeuta. Mas vale a pena perseverar neste caminho, que leva à saúde física e mental e nos proporciona alegrias para todos os anos que temos pela frente.

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ESCRITO POR

Gustavo Boog

Gustavo é escritor e coach, apoia pessoas, idosas ou não, a tomarem decisões para serem mais plenas, terem clareza de objetivos e de significados de vida. Conduz palestras e workshops sobre temas comportamentais, criou o grupo “Mais Velhos, Mais Sábios” no Facebook. É escritor de mais de 20 livros e E-Books sobre desenvolvimento pessoal e organizacional. Fones: (11) 5183-5187 ou 5183-5096 Celular: (11) 99137-7691

Perfil do Autor
COMMENTS
  1. Gustavo Boog

    Tb. sou neto de alemães, e sei a pressão do “tem que”. Mas a gente aprende a se livrar, ao menos parcialmente, disto!

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