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Rumo ao desconhecido

14 Dec 2015 por Gustavo Boog em Aposentadoria

No envelhecimento entramos num território desconhecido. Temos as referências de como nossos pais e talvez os avós envelheceram e morreram, mas o mundo mudou muito, e estas referências já não nos servem mais, estão obsoletas e ultrapassadas.

O envelhecimento não acontece de uma só vez, não é uma linha que cruzamos, antes é um pequeno nevoeiro que vai ficando cada vez mais espesso. Mas, o que é este nevoeiro, este desconhecido? São todas as coisas, valores, jeitos de ser que estão mudando tão rapidamente à nossa volta. Quando o diferente vai surgindo em nossa vida, sentimo-nos desconfortáveis, inseguros e talvez até incompetentes. Um bom exemplo é a resistência de muitos idosos em lidar com Internet e computadores. E, ao deixar isto de lado, abrem mão de muitas vantagens que a tecnologia oferece.

O envelhecimento é um processo pessoal e intransferível, é uma experiência única, que, como em outras fases da vida, pode nos trazer grandes alegrias e sofrimentos. Se tivermos um mapa, um roteiro, com certeza caminharemos neste território a ser desbravado de forma mais segura e confiante. A seguir veremos o que é conhecido e o que é desconhecido para a maioria das pessoas idosas.

Conhecido Desconhecido
Pressa para fazer tudo/ imediatismo/ falta de tempo Agora há muito mais tempo disponível, ficamos mais lentos e tudo pode ser feito com mais calma e menos pressa.
Muitas rotinas Ficamos livres de muitas rotinas, por exemplo ir e voltar do trabalho todos os dias
Eu produzo, eu agrego valor, eu consumo Não sou mais obrigado a produzir, posso consumir menos, posso me dedicar a novas atividades, p.ex. voluntárias
A velocidade de mudanças é administrável Intensa e radical velocidade de mudanças, tudo muda tão rápido que fica difícil de acompanhar
Conflito entre diferentes gerações é razoavelmente estável – paradigmas são assemelhados entre as gerações Novos paradigmas das gerações Y e Z podem gerar grandes conflitos na família e no trabalho
Família estável, marido, mulher e filhos e a convivência com idosos sob o mesmo teto Famílias flexíveis, divórcios, casamentos homo, marido e mulher trabalham fora e têm suas carreiras
Clima atmosférico estável Aquecimento global traz novos desafios: mudanças climáticas intensas com menos previsibilidade
Comunicações lentas: correio. telegrama, telefone fixo, enciclopédias Comunicações instantâneas: Internet, Google, E-Mails, What´s APP, smartphones
Medicina: médico de família, recursos limitados, remédios tradicionais Medicina com especialistas, planos de saúde caros, tecnologias avançadas e medicamentos de ponta
Pouca atividade física para idosos Estímulos à atividade física para idosos
Alimentação não era preocupação Nutrição equilibrada e orientada por profissionais
Transportes mais lentos e caros Transportes rápidos e mais acessíveis

 

O quão melhor estivermos ajustados a tantos fatos e situações novas, ao se tornarem conhecidos, nosso sentimento de “estou velho”, “não sei mais nada”, “tornei-me obsoleto” desaparecem e podemos assim ter uma vida mais plena e cheia de significados. O nevoeiro se desfaz e podemos percorrer este novo território com mais segurança e alegria.

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ESCRITO POR

Gustavo Boog

Gustavo é escritor e coach, apoia pessoas, idosas ou não, a tomarem decisões para serem mais plenas, terem clareza de objetivos e de significados de vida. Conduz palestras e workshops sobre temas comportamentais, criou o grupo “Mais Velhos, Mais Sábios” no Facebook. É escritor de mais de 20 livros e E-Books sobre desenvolvimento pessoal e organizacional. Fones: (11) 5183-5187 ou 5183-5096 Celular: (11) 99137-7691

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