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Passagem pelo tempo

02 Mar 2016 por Fernanda Vianna em Bem Estar

Com frequencia escuto dos amigos de longa data que tenho a mesma cara, o mesmo jeito, que o tempo não passa pra mim.

Felizmente não é assim.

A cada novo ano não escapo aos efeitos da vida. Quando era mais nova sentia uma tristeza enorme e também raiva quando percebia que conforme o tempo passava eu perdia coisas; comecei a ficar aflita e não queria perder nenhuma oportunidade, vivia assombrada pela possibilidade de perder as pessoas que amava.

Ao longo dos anos percebi que conforme passamos pelo tempo, muita coisa podemos ganhar (inclusive rugas, cicatrizes, dores, que antes não estavam lá); comecei a ficar mais contente com as oportunidades que a vida nos dá e aproveitar cada momento que temos junto das pessoas que amamos.

Outro dia minha filha chegou da escola e precisava pesquisar o que seus familiares colecionavam, “mamãe o que você coleciona?” titubiei. As primeiras coisas que me vieram a cabeça foram lembranças de coleções que fazia quando criança, achei bobo, distante, seria frustrante para minha filha responder em sua pesquisa que sua mãe não coleciona mais nada… então me dei conta e com orgulho respondi “coleciono memórias!”

A curtição de ser uma colecionadora de memórias, para além da árdua tarefa de não paralisar junto à nostalgia das lembranças daquilo que não mais pode ser, nem sucumbir ao trágico da vida, é que as memórias vão dando a dimensão de uma vida bem vivida, da reunião de pessoas e fatos que transformam a passagem.

De cada ano trago novos sabores: sabor de coisa gostosa, sabor de saudade, sabor de dor, sabor de orgulho, sabor de coragem, doce, salgado, amargo, apimentado, tudo muito saboroso…

Lembrar o gosto de cada coisa nos ajuda a destinar nossas memórias ao lugar que em nós acolhe a peculiaridade de cada uma delas. Nos momentos de fome, podemos evocá-las e junto delas os vários gostos, o que parece enriquecer seus nutrientes.

Reconhecer o que nutri pode não ser tarefa simples, mas fundamental! É a partir daí que podemos nos manter conectados com nossos afetos e conservar o pulsar de cada historia.

Na companhia dos outros tecemos nossa trajetória. E porque não estamos sós, temos a oportunidade de compartilhar a vida com todos que dão colorido, vida e sabor às nossas memórias.

Estamos de passagem e a cada ano é imprescindível comemorar pois o que temos é só um intervalo!

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ESCRITO POR

Fernanda Vianna

Psicóloga Clinica, Membro da Associação Brasileira de Daseinsanalyse, Mestre em Psicologia da Educação pela PUC/SP.

Perfil do Autor
COMMENTS
  1. nestorgoes@uol.com.nr'

    Nestor Goes

    O artigo da Dra. Fernanda Vianna é maravilhoso. As suas palavras bem demonstram quão importante é viver compartilhando sentimentos que trazem felicidade não só a nós mas também às pessoas que nos cercam. Parabéns !

  2. Regina.jakubovicz@infolink.com.br'

    Regina jakubovics

    Exelente artigo. Acho que Fernanda deveria publicar seus artigos para que mais pessoas tenham acesso. O próximo passo deve ser um livro. Parabens Fernanda.

  3. mafecrep@uol.com.br'

    Fernanda Souza

    O comentario saiu truncado, mas é issodorei o TEXTO, Adoro colecionar MemoriastpMu

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