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O segredo de uma vida feliz

04 Feb 2016 por Helena Albuquerque em Bem Estar

Uma pesquisa, sobre o que torna uma vida feliz, foi realizada na universidade americana de Harvard ao longo de 75 anos. Pessoas foram acompanhadas por muitas décadas, algumas com vidas bem sucedidas, outras ao contrário, com vidas difíceis e muitos fracassos. Mas a conclusão foi clara e inequívoca: o que faz com que alguém tenha uma vida feliz é ter relações boas e calorosas com as pessoas ao seu redor. Simplesmente isso, nem mais nem menos: relações boas e calorosas. Outra conclusão foi a de que a solidão faz mal e piora a saúde.[1]

Seguem algumas das afirmações da pesquisa: os bons vínculos protegem das dificuldades do envelhecimento; as dores físicas tornam-se mais toleráveis pelo fato das pessoas estarem mais felizes, e, ao contrário, as dores físicas podem ser agravadas pela infelicidade emocional; as boas relações protegem o corpo e o cérebro mais do que os níveis de colesterol; os vínculos afetivos são uma garantia maior para termos uma vida boa do que os check-ups rotineiros com o médico; e boas relações fazem com que a memória se mantenha por mais tempo.

Será que a conclusão dessa pesquisa é uma novidade? O atual diretor da pesquisa afirma: “Ao longo destes 75 anos, o nosso estudo provou vezes sem conta que as pessoas que se saíram melhor foram as que se apoiaram nas relações com a família, com os amigos, com a comunidade.” A pesquisa, porém, faz uma ressalva importante, a de que não se trata da quantidade de relações que mantemos, mas da qualidade delas.

Mas será que já não sabemos disso? Que o que nos faz bem é a troca afetiva com aqueles que nos cercam e saber que podemos contar com o apoio e afeição daqueles que nos são próximos?

No entanto, se a pergunta sobre o que se quer na vida for feita para as pessoas, muitas, provavelmente a maioria, responderão que o que querem é ter dinheiro e sucesso. Coisas que – e isso fica muito claro na pesquisa – absolutamente não têm nada a ver com ter uma vida mais feliz.

Mas porque então o senso comum é esse? “Porque as relações humanas são difíceis, complexas, e perturbam! Duram e dão trabalho!”, respondem os pesquisadores.

De fato, construir boas relações dá trabalho. As pessoas, em geral, incluindo nós mesmos, são generosas e egoístas, boas e cruéis, solidárias e competitivas e assim por diante. São contraditórias e incoerentes. Como dizia Nelson Rodrigues, de perto ninguém é normal!

Aprender a cultivar e manter as amizades e os vínculos afetivos, apesar de nem sempre ser fácil, é o que vai garantir uma boa vida. Apenas isso!

[1] Robert Waldinger: o que torna uma vida boa. Lições sobre o estudo mais longo sobre felicidade. TED.com : entrevista dada pelo atual diretor da pesquisa, sobre a qual se baseia esse artigo. As citações abaixo são todas tiradas dela.

 

 

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ESCRITO POR

Helena Albuquerque

Psicanalista do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae; Mestre em Psicologia pela USP.

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