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Moda e envelhecimento

13 Aug 2015 por Celina Dias em Moda

Os desfiles da São Paulo Fashion Week por si só provocam uma importante movimentação no mercado de moda brasileira. Em 2009, Ronaldo Fraga ofereceu motivos para que a agitação recrudescesse ao máximo. Ao invés de modelos jovens, altas e magérrimas, a coleção do estilista foi colocada na passarela vestida por crianças e velhos. Na ocasião Fraga foi aplaudido em pé e a palavra emocionante destacada por todos os presentes e, em seguida, por toda a imprensa na divulgação do evento.

Em um exercício para pensar do porquê da comoção ou em quê o gesto de Fraga foi inusitado nos leva à presença de crianças sim mas, principalmente, na presença de velhos na passarela. Velhos desfilando a moda de um grande estilista. Velhos protagonizando uma ação que costumamos conceber como território dos jovens. Sair desse formato foi a ousadia de Ronaldo Fraga!

Nas últimas décadas o modelo da juventude fornece o padrão para produção de roupas, cosméticos, acessórios em um mundo que valoriza a produção e a velocidade. Ainda que saibamos estar diante de um fenômeno irreversível – o acelerado envelhecimento populacional mundial – a contemporaneidade continua dominada pela cultura da juventude e impregnada pela discriminação contra o idoso.O imaginário social é repleto de mitos e estereótipos que percebem a velhice – e o processo de envelhecimento — apenas como período de perdas e carências.

O mercado da moda e da publicidade – pela força que confere na divulgação de imagens – pode ser elemento de capital importância para trazer visibilidade ao velho e uma nova representação social do envelhecimento.

Para saber mais sobre o tema acesse: http://goo.gl/KImycc

(Foto: Rafael Costa)

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ESCRITO POR

Celina Dias

Assistente Técnica da Gerência de Estudos e Programas da Terceira Idade, do Sesc São Paulo. Doutoranda em Ciências Sociais da Puc/SP.

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