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Longevidade é estímulo para empreender (Valor)

11 Nov 2014 por Redação em Negócios, Ta na mídia

De Renato Bernhoeft

Embora o senso comum considere que o sonho, desejo ou capacidade para empreender seja algo muito mais característico da população jovem, essa referência está mudando na mesma velocidade em que ocorrem as alterações do perfil demográfico populacional.

Estudos recentes, tanto nos Estados Unidos como em vários países europeus — especialmente naqueles de origem anglo-saxônica —, já mostram importantes mudanças no perfil daqueles que passaram a considerar o empreendedorismo como uma alternativa interessante.

Essas alterações são produto do significativo e radical aumento dos índices de longevidade, que nos dias atuais também têm sido acompanhadas pela melhor qualidade de vida. A  consequência mais visível desse conjunto de fatores é a transformação na maneira como as pessoas têm encaminhado seus processos para a aposentadoria.

Para muitos idosos, essa transição tem sido encarada como o momento crucial para se apropriarem das suas histórias e projetos de vida. Entre os “combustíveis” para isso estão o desejo de não se tornarem — tanto afetiva como financeiramente — dependentes dos filhos, a capacidade de ainda sonharem, as experiências e aprendizados obtidos ao longo da vida, o desejo ou necessidade de continuar se sentindo útil, e a preservação de sua autoestima.

É evidente que também existem temores e receios. Muitos dos profissionais que passaram a vida com algum vínculo empregatício — especialmente os de média e alta gerência — e que se acostumaram com algumas “mordomias” do cargo, além do prestígio que o “sobrenome organizacional” empresta socialmente, estão entre os que mais dificuldades encontram ao encarar esse momento de transição.

Tornar-se empreendedor exige correr riscos e desenvolver a capacidade de “descobrir” oportunidades onde, muitas vezes, a maioria das pessoas  percebe apenas problemas ou deficiências.

Ao tornar-se o “patrão de si mesmo”, não há para quem reclamar de uma eventual falta de reconhecimento. Será preciso assumir despesas antes bancadas pelo empregador e alternar momentos em que será preciso ser “o” presidente com outros em que deverá ser “o” office-boy da nova empresa. Passa a ser fundamental também entender e ter paciência com clientes e fornecedores, além de criar e estimular uma equipe de colaboradores. Mas, acima de tudo, será preciso desenvolver a capacidade de transformar seu conhecimento, ideia, produto ou serviço em algo vendável e devidamente “embalado”.

Profissionais que começam a se preparar com a devida antecedência para a aposentadoria por meio de um projeto de vida que não contemple apenas as questões financeiras e de saúde levam grande vantagem nesse processo, pois podem fazê-lo de forma mais tranquila e segura. O aconselhável é não esperar se aposentar para só depois pensar no que fazer.

Nessa fase, nem todos pensam apenas em desfrutar. Muitos necessitam de uma nova “identidade” que os faça se sentir socialmente aceitos e valorizados. De maneira geral, as mulheres têm conseguido administrar esse periodo de forma mais positiva.

Uma das razões é que elas não colocaram todas as fontes de suas realizações apenas na carreira profissional, mas continuaram dedicando tempo aos seus papéis de esposa, mãe e até com outras atividades complementares. Enquanto isso, a maioria dos homens concentra seus esforços, energia e prestígio na carreira, descuidando de suas realizações como pai, marido entre outros. Esse desequilíbrio tende a cobrar um preço muito alto.

Quem já desfruta ou ainda vai desfrutar dos novos índices de longevidade deve considerar empreender como uma alternativa motivadora. Isso o ajudará a se apropriar de sua vida também nessa nova etapa.

Renato Bernhoeft é fundador e presidente do conselho de sócios da höft consultoria. Artigo publicado no Valor Econômico

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