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As fases do envelhecimento

19 Jan 2016 por Gustavo Boog em Aposentadoria

Muitos consideram a fase idosa uma época com características que não se alteram,  que se inicia oficialmente entre nós aos 60 anos. Passou dos 60: você é idoso! A realidade mostra que não é bem assim: há diversas fases no envelhecimento, muito mais visíveis com o aumento da longevidade. Alguém com 62 anos têm características bastante diferentes de uma pessoa com 92 anos. Muitos com 70 ou 80 anos continuam a ter uma vida profissional ativa, apesar de estarem formalmente aposentados.

Gosto muito das colocações de Gene D. Cohen, em seu livro “The Mature Mind”, que define quatro fases do envelhecimento, visualizadas e resumidas a seguir:

gráfico envelhecimento

Cabe lembrar que as idades são uma referência que pode se alterar de pessoa a pessoa.

Por volta dos 40 anos de idade, uma marco que define aproximadamente a “metade da vida”, começa a reavaliação da meia idade, uma época de exploração e transição, com questionamentos como:

  • Onde estive em minha vida? O que fiz? O que alcancei?
  • Onde estou hoje? O que estou fazendo?
  • Para onde vou? O que quero fazer? O que quero alcançar?

Nesta fase há a consciência da própria mortalidade, e longe de ser uma época de crise, o foco é muito mais de desafios a serem alcançados: abrir novos caminhos, responder a questões profundas e buscar o que é verdadeiro e significativo em suas vidas.

Aí começa a fase de liberação, onde surge o desejo de experimentar, inovar e libertar-se de antigas inibições e limitações. Há uma grande superposição com a fase de reavaliação e pode se estender até os 70. É a fase em que brotam novas conexões entre as células cerebrais e há um uso mais equilibrado dos dois hemisférios. Vem forte a pergunta: se não for agora, quando será?

A terceira fase, o resumo, que se superpõem parcialmente às duas anteriores, enfatiza a recapitulação, a resolução e a revisão. As pessoas são motivadas a compartilhar suas vivências e experiências de vida, e talvez até sua sabedoria, bem como lidar com questões inacabadas e conflitos não resolvidos. Surge fortemente o desejo de devolver tudo o que foi recebido, para a família, amigos e sociedade, com trabalhos voluntários e de filantropia.

A quarta fase, que se inicia por volta dos 75, é a fase mais uma vez, como quando um concerto termina e o público grita mais um, mais um. É o desejo de ir além, mesmo em face das adversidades e perdas. Nesta fase surgem novas manifestações de criatividade e engajamento social, o que faz desta fase um período de muitas surpresas.

Como pode ser visto neste relato, bem como nas observações que cada um pode fazer, a fase idosa tem diversas subfases, e cabe a cada um de nós desfrutar da melhor maneira possível a bênção dos dias que nos foram dados.

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ESCRITO POR

Gustavo Boog

Gustavo é escritor e coach, apoia pessoas, idosas ou não, a tomarem decisões para serem mais plenas, terem clareza de objetivos e de significados de vida. Conduz palestras e workshops sobre temas comportamentais, criou o grupo “Mais Velhos, Mais Sábios” no Facebook. É escritor de mais de 20 livros e E-Books sobre desenvolvimento pessoal e organizacional. Fones: (11) 5183-5187 ou 5183-5096 Celular: (11) 99137-7691

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COMMENTS
  1. aquaris@uol.com.br'

    Angelina Ponte

    Olá, sr Escritor! Pontualíssima e assertiva , sua avaliação sobre as fases da vida, seus caminhos, a compreensão e o alcance que podemos extrair… Gostei muito! Me reencontrei com as que ja vivi, claro cm algumas variações …na primeira fase, quase tudo eu vivi …. Tomei decisões( por sinal ótimas, felizes e muito libertadoras!) pulei uma, a da consciência da mortalidade, talvez por meu espírito muito vibrante e muita saúde…. A segunda, algumas diferenças, mas não muitas…. O forte foi compartilhar( sou astróloga e terapeuta , dentro dess campo, muito pude oferecer para grupos de terceira idade, sobre as fases da vida olhadas através do que chamamos de Trânsitos Planetários, bem como hábitos alimentares,exercícios, o desvencilhar -se daquilo que não vale a pena… Mas ainda assim, sem dar a mínima para a finitude da vida… Já alcancei a terceira fase…. E a consciência da morte, essa faz parte atualmente do muitos momentos e prazeres da minha vida. Alguns amigos, doentes, outros que já partiram, muitos, às voltas com seus pais doentes e eu, que já fiz uma intervenção cardíaca, tomo remédios de verdade e percebo que não posso mais subir um lance de escada de dois em dois degraus , ainda me dedico ao meu trabalho, mas em ritimo bem mais lento… Daqui a 6 dias, farei 71 anos…tenho filhos, netos, cachorros, jardins um segundo casamento,( aos 59), e de fato, agora começo a considerar o “ainda é possível “. Deixo aqui o meu depoimento, com muita admiração pelo seu trabalho, seu interesse através do que escreve para nós, os velhinhos que estão aqui nesse momento fantástico, podendo desfrutar da vida e do que ciência e a medicina ,bem como os profissionais, como o Senhor, tem a nos oferecer e tornar nossa vida melhor. Uma grande abraço. Muita Luz!

    • Gustavo G. Boog

      Olá Angelina
      Agradeço pelas tuas estimulantes palavras, e por saber que as fases do envelhecimento, descritas no livro “The Mature Mind”, se aplicam tão bem a você.
      Um grande abraço

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